Sábado, 18 de Julho de 2009

ESCRITOS Nº 32

A PARTEIRA

A velha Emerenciana, não tão velha assim na época, esperava o décimo rebento. E Tio Lulu comentava com o pai, o compadre Querêncio:
- A Bigúvia vai mandar algumas roupinhas.
Ao que o compadre Querêncio retrucava:
- Não precisa. É só uma vez por ano...
E chegou o tão esperado dia. Nas primeiras dores da mulher, Querêncio encilhou o pangaré e, na passagem, parou na casa do compadre Lulu.
- É pra hoje - falou. Vou buscar a parteira.
- Vou junto - falou o outro.
E lá se foram estrada afora, proseando. Era um sábado, à noitinha.
Percorridos alguns quilômetros - as parteiras, lá nos perdidos rincões, nem sempre moram perto, - já ouviram, alegrando o pampa, um ronco da cordeona numa bailante próxima. Nem precisaram combinar. Os matungos dirigiram-se, quase que instintivamente, para o fandango.
- Vamos só dar uma olhada - falou Tio Lulu.
- Não podemos demorar... muito - falou o outro.
Cinco da manhã, dia clareando, seguiram viagem já esquecidos da tarefa. Lá pelas tantas, um grande ajuntamento. Carreira em cancha reta. A programação para o domingo estava feita. Segunda tinha marcação do gado numa fazenda próxima e rolaria um churrasco macanudo. Acabaram arranjando trabalho por alguns dias. Dez, para ser mais exato. Depois veio o açude, para o qual o proprietário precisava reforçar a taipa. E lá estavam os dois novamente, carregando sacos de plástico cheios de terra, para ganhar alguns cobres. A filha do dono era de tirar o chapéu. Vez por outra ia até o açude levar água ou alguma comida. E a dupla ali, babando, esquecida da vida... Depois seguiram adiante, parando aqui e ali, um mundão sem porteiras.
Nessa brincadeira toda, o tempo não parava. Até que certo dia:
- Querêncio! E a parteira?
- Puxa vida! Esqueci. Barbaridade! Vamos lá.
Para encurtar o causo, quando chegaram em casa, o piá completava dois meses. Já queria até engrolar algum papo. A parteira? Claro que veio. E, para não perder a viagem, convidada para madrinha.

ALCIONE SORTICA
Porto Alegre/RS
in: Série "Beira de Açude"
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PROVÉRBIOS:

* A hora mais escura é a que precede o amanhecer. (irlandês)
* Não são as ervas daninhas que matam a boa semente, mas a negligência do camponês. (zen)
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o que as pessoas pensam
sempre acaba tendo um certo peso
quase nunca é certo
o que as pessoas pensam
mas a verdade transparece
quase sempre apenas no que parece
porque o lado inverso da verdade
é o mais fácil de ser visto
o mais prático, o mais previsto
e assim as pessoas são como vitrines
em que vemos nosso próprio reflexo
misturado aos objetos de desejo

EUNICE MENDES
Santos/SP
in: Cerimônia das Flores
Contato com a autora:
e-mail: walmordario@ig.com.br
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DAS SALIÊNCIAS...

Criou-se em mim
uma onda de prazer e alegria.
As coisas criadas o seu olhar me trouxe,
era o amor chegando.

WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO
São Vicente/SP
in: Das...
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IDENTIDADE

Pássaros casas
pássaros asas
pássaros cantam
pássaros passam,
o que há de tão igual
em mim?

LARÍ FRANCESCHETTO
Veranópolis/RS
in: Espelho das Águas
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TEMPO & INFÂNCIA

Quanto à infância
foi muito normal:
somente o que estava
ao redor, envelhecia.

JOSE RONALDO VIEGA ALVES
Sant’Ana do Livramento/RS
in: Natureza Móbile
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FRASES:

"Se quer ser amado, ame."
SÊNECA
(Filósofo e Poeta romano)

"O Futuro não será mais o que era."
"Que seria de nós
sem o socorro das coisas que não existem?"
PAUL VALERY
(Poeta francês)


1º DE MAIO - DIA MUNDIAL DO TRABALHO

Criado em 1889 por um Congresso Socialista em París, o Dia Mundial do Trabalho teve a data escolhida em homenagem à greve geral, que aconteceu em 1º de maio de 1886, em Chicago, principal centro industrial dos Estados Unidos naquela época. Milhões de trabalhadores saíram às ruas para protestar contra as condições de trabalho desumanas que sofriam, querendo a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias.
Houve naquele dia, manifestações, passeatas, piquetes e discursos na cidade. Em represália, aconteceram prisões, pessoas feridas e até mesmo mortas nos confrontos entre os operários e a polícia.

(continua na próxima edição)
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VOCÁBULOS PRÉ-LATINOS

* Fenícios e Cartagineses: suco, mapa, barca.
* Gregos: bolsa, cara, cola, governar, filosofia,
academia, liceu, hora, relógio, alfabeto, teatro,
anjo, apóstolo, bíblia, crisma, diocese.

VOCÁBULOS LATINOS

* Populares: mácula, malha.
* Eruditos: solitário.
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DIA NASCENDO EM TEUS OLHOS

Dormes na tarde breve. Do céu, ave
de plumagem de treva, o vôo etéreo
pousa a noite na terra. E leve, suave,
choca os ovos gorados do mistério.

No leito em que tu dormes, um sidéreo
clarão, que vem de ti, abranda o grave
negror do quarto – este meu céu cinéreo...
E tu brilhas no céu como uma nave!

Ouço o rumor da treva que desliza,
solilóquio da sombra ardendo agora
por vir beber do anelo teu a brisa.

E eu bebo-a, em matinal, branca alegria,
e é noite ainda, sem luar, lá fora,
enquanto nos teus olhos já é dia.

ANDERSON BRAGA HORTA
Brasília/DF
in: 50 Poemas Escolhidos pelo Autor
Edições Galo Branco
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CURIOSIDADE:

Por que a laranja chama laranja e o limão não chama verde?
Laranja vem do árabe "narandja" e o limão vem do persa "laimum". São de origens diferentes.
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O BLUES

(...)
Existem elementos no blues que podem ser encontrados nos diferentes estilos das canções africanas – o timbre vocal, uma certa ambigüidade na harmonia e uma série do que se podiam chamar "modos" rítmicos – ainda que as influências são muito pouco perceptíveis e sutis. A forma mesma do blues, a estrofe com o modelo harmônico repetido, não tem relação com os estilos melódicos dos griots da África do Sul, nem mesmo hoje em dia.
(...)
Por Samuel Charters
in: Mestres do Blues – Vol. I
(continua na próxima edição)
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ESPAÇO DO LEITOR

VISIONÁRIO

Morreram as rosas que plantei
E por elas enamorado
Toda a vida assim fiquei
Escravo de mim, um sonho tombado.

Viver é lutar com a realidade
É ver morrer o amor
É deitar com a saudade
Em um eterno leito de dor.

Outrora o amor me teve
Causando-me grande amargura
Que Deus de mim o amor leve
Deixando apenas ternura.

SERGIO SAGGARD
Bayeux/PB
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TROVA

Tristezas - todos sentimos
vendo a flor despetalar,
nos abraços que não vimos
das pétalas a murchar.

HENNY KROPF
Cantagalo/RJ
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BRINCANDO COM PALAVRAS

Parto e reparto
Em vários pedaços
De fato é fácil
A partir de agora
Vamos fazer um trato
Amor em pedaços.

HAZEL DE SÃO FRANCISCO
São Paulo/SP
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TROVA

Procure não se importar
com alguém a sua frente.
Carrossel pode rodar,
tornar tudo diferente.

APARECIDA MARIANO DE BARROS
Jundiaí/SP
in: Chuva sobre o Canavial

DICAS DE LEITURA:

MEU NOME ERA SUZANA - romance - Djanira Pio - Scortecci - 2009. Este volume completa a trilogia de A Cidade dos Sonhos e Um Canteiro de Margaridas, quando as protagonistas, meninas sonhadoras, tornam-se mulheres maduras em busca do sentido. Narrativa, suave, sutil e delicada, característica da autora.

FLORAIS - haicais e tercetos - Humberto Del Maestro - 2009. Neste livro, o autor já consagrado por sua poesia, apresenta delicados tercetos e haicais com temas referentes a árvores, flores, frutos e plantas agrestes. Quem ama a natureza vai se sentir num delicioso jardim.

LIVROS DE EUNICE MENDES:

*Cerimônia das Flores – Valor: R$ 15,00
*Flores e Frutos – Valor: R$ 15,00
*Sino dos Ventos (Haikais) – Valor: R$ 5,00
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Contato: Eunice Mendes
e-mail: walmordario@ig.com.br

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e-mail: walmordario@ig.com.br

Aceitamos colaborações de poemas e/ou pequenos textos em prosa,
que poderão vir a ser publicados
se estiverem de acordo com o perfil da nossa linha editorial.
Os textos aqui publicados
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O fanzine impresso pode ser adquirido
pelo custo simbólico de R$ 2,00.
Assinatura Anual: R$ 10,00.
Maiores informações entre em contato com o editor:
Walmor Dario Santos Colmenero
Endereço Postal: Pça Nossa Senhora das Graças, 76 apto. 11
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Domingo, 10 de Maio de 2009

ESCRITOS Nº 31

O SENTIDO DO TRÂNSITO

Está escuro quando acordo,
o bairro todo ainda dorme.

Tomo os remédios tantos,
visto-me e procuro um canto

para ler esperando a luz
de uma manhã talvez azul.

Os primeiros carros sobem
a longa ladeira onde moro,

sobem rápidos, furiosos,
não perder nunca a hora.

No começo, são bem raros,
depois a avalanche de carros

subindo o morro residencial,
num sentido anti-horário.

Continuo lendo na poltrona
de onde ainda posso ver a rua.

Nesta hora, descem conversando
as empregadas – sonhos suburbanos

são claros e elas riem, inocentes.
Na minha rua não há ônibus,

todos com carro e com insônia.
A empregada chega, tem a chave

da porta da frente, abre as janelas
e o dia coletivo e ruidoso começa.

Eu continuo lendo, atento a tudo.
A família toma o café da manhã;

estamos agora comendo frutas,
emagrecem e ajudam a digestão.

Minha empregada come pão
e bebe café com muito açúcar.

Saíamos para caminhar, subindo
a ladeira que cansa as panturrilhas.

Os estudantes de uma escola pública
chegam com seus uniformes azuis.

Há beijos doídos em frente ao portão,
beijos talvez com gosto de pão.

Na volta, freando nossos passos,
descemos rumo ao fundo do vale

onde, imprevidente, plantei a casa.
Passo a manhã lendo e escrevendo

na biblioteca isolada no quintal.
O barulho de carro se faz longe,

ouço pássaros cantando e sonho
com um mundo sem telefones.

Na hora do almoço, cresce o som
de carros que agora descem soltos

a ladeira imensa em que moro.
E eu em meu mundo me esforço

para prestar atenção no romance,
no poema que estou compondo.

O barulho dos carros, pais chegando,
mães que se dirigiram ao mercado

em busca da mistura do almoço.
Sons de carro, pequeno alvoroço

no dia de silêncio e letras em trânsito.
Então bebo minha cerveja e como

o que me é servido talvez por engano.
Depois durmo até o meio da tarde.

A mulher levará a filha à escola
e ficará pelo centro da cidade.

Mas antes de dormir ouço os carros:
partem para o escritório, a fábrica,

enquanto vivo de juntar palavras,
indústria velha de produzir o nada.

O barulho dos carros ferozes
na longa ladeira que nos isola

do resto da cidade cheia de lojas,
o barulho continua em meu sonho.

Não tem fim, é rumor de obras,
rumor de águas que se chocam,

vencendo pedras no rio corrente.
É o barulho de minha demência.

Cansado, acordo quando já não há
carreatas de cidadãos dedicados

ao progresso, com o perdão do termo.
Eu acordo na tarde em que o tempo

volta a ser meu. As palavras fremem
iguais cigarras no verão breve.

Volto à faina obscura de poeta,
e leio algumas páginas de estética.

Não há carros na rua, não há vozes,
sou o dono desta parcela do dia,

que me leva à noite que se aproxima.
Quando voltam os carros, carregando

o cansaço do dia, estou no banho.
Faço a barba, sob o chuveiro quente,

depois de um ritual de higiene.
Já vestido, junto livros e delírios,

como um sanduíche de pão sírio,
vou à garagem de portas manuais

e saio em meu automóvel popular.
Ele escala o morro numa primeira,

lentamente, sem nenhum alarde.
A rua quieta na noite do bairro.

As tevês ligadas nos mesmos canais,
os homens tiraram gravatas indóceis,

as mulheres vestiram roupas folgadas,
vou em meu carro, cortando a noite,

para minhas aulas na universidade.
Encontro putas, travestis e bêbados.

Fazemos parte do mesmo contingente,
vivendo nossa vocação em segredo.

Ou melhor dizendo: no degredo.
Amanhã, amanhã acordarei cedo.

MIGUEL SANCHES NETO
Ponta Grossa/PR
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dois copos de vidro
de boca para baixo
sobre a mesa da copa
três colheres de café
na borda da bandeja
sobre a mesa da copa
uma caneca de café
sobre um pires de xícara
sobre a mesa da copa
um pote de açúcar
e uma garrafa térmica
sobre a bandeja amarela
sobre a mesa da copa
o saco de pão amassado
ao lado da margarina
sobre a mesa da copa
os meus olhos repousados
na estamparia florida
brincam sobre a toalha
sobre a mesa da copa

EUNICE MENDES
Santos/SP
in: Cerimônia das Flores
___________________

DAS COLETIVIDADES...

O povo e o seu poder.
Ideologias e Simbolismos.
Tristezas e Humilhações.
Quadro social.

WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO
São Vicente/SP
in: Das...
________________

MENSAGENS:

* Conseqüências funestas surgirão para os que têm ira no coração.
* Quem se julga poderoso nada sabe sobre o dia de amanhã e menos ainda sobre o tempo.
_________________

O BLUES

(...)
Algumas das composições que se gravaram como blues eram baladas populares, canções para crianças ou ragtime country. Somente quando a indústria fonográfica do blues ficou mais sofisticada é que o material ficou mais sofisticada é que o material assumiu uniformidade. É importante recordar também que as gravações efetuadas no sul estavam supervisadas por um grupo de homens brancos, diretores artísticos, que trabalhavam para companhias de discos...
(...)

Por Samuel Charters
in: Mestres do Blues – Vol. I
(continua na próxima edição)
______________________

ESPAÇO DO LEITOR

CANÇÃO DISSONANTE PARA QUEM
NÃO QUER SABER DE POESIA

Escrevinho um labirinto mal traçado
Onde somente eu conheço ou invento a saída
O labirinto é meu
Posso dizer que tem milhares de saídas
Quem quiser saía pelo teto como pássaro
Ou galinha.

JEAN NARCISO BISPO MOURA
Itaquaquecetuba/SP
in: Excursão Incógnita
________________

Não devo
Desesperar-me
Enquanto
Eu estiver comigo
Não estarei sozinha.

DJANIRA PIO
São Paulo/SP
____________

MARCAS

O passado está presente
Não nas coisas que passaram,
Mas naquelas que realmente
As nossas vidas marcaram.

ZINEY SANTOS MOREIRA
Ribeirão Preto/SP
______________

OUTRO SONHADOR

Outro
sonhador idiota.
Outro
sonhador sem chão.
Outro
sonhador no precipício.

LUIZ BALTHAZAR
Barbacena/MG
in: Sombras
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LIVROS DE EUNICE MENDES:

* Cerimônia das Flores
* Flores e Frutos
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Valor: R$ 15,00 (cada)

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**************

LIVROS DE WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO

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Contatos: Eunice e Walmor
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walmordario@ig.com.br
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AVISO IMPORTANTE

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Sábado, 7 de Março de 2009

ESCRITOS Nº 30

RISCOS

Rir é correr o risco de parecer tolo.
Chorar é correr o risco de parecer sentimental.
Estender a mão é correr o risco de se envolver.
Expor seus sentimentos é correr o risco de mostrar seu verdadeiro eu.
Defender seus sonhos e idéias diante da multidão é correr o risco de perder as pessoas.
Amar é correr o risco de não ser correspondido.
Viver é correr o risco de morrer.
Confiar é correr o risco de se decepcionar.
Tentar é correr o risco de fracassar.
Mas devemos correr os riscos, porque o maior perigo é não arriscar nada.
Há pessoas que não correm nenhum risco, não fazem nada, não têm nada e não são nada.
Elas podem até evitar sofrimentos e desilusões, mas não conseguem nada, não sentem nada, não mudam, não crescem, não amam, não vivem.
Acorrentadas por suas atitudes, elas viram escravas, privam-se de sua liberdade.
Somente a pessoa que corre riscos é livre!

SÊNECA
Filósofo e Poeta romano. Lucius Annaeus Seneca nasceu em Córdoba, aproximadamente em 4 a.C. e faleceu em Roma em 65 d.C. Estudou filosofia e retórica. No ano de 62 retirou-se da corte para dedicar-se à meditação e seus estudos filosóficos. Envolvido em conspiração, suicidou-se. Algumas obras: Sobre a Ira, Sobre o Ócio, Sobre a Tranqüilidade da Alma, Sobre a Brevidade da Vida, Sobre a Clemência, Sobre os Benefícios, Problemas Naturais, Epístolas morais a Lucílio.
___________________

Desmentir mentiras
Recomeçar e pintar o túmulo
Deixar que os inimigos
esquentem o jantar
Adiar certos saltos
Participar da festa da tolice
- e tirar retratos
Testemunhar a fome
- que nunca é saciada...
É um bom começo
pra esfriar a frieza
Por-lo-à em gelo
E degustá-la, líquida,
em taça clara do pensamento

ALINE LEAL
Jequié/BA
_____________

DEIXANDO

Pouso o cansaço
nos clarões do instante.
Exponho meus atos
na cilada das horas.
Invento imagens
na linha do tempo,
o símbolo da luta
no caminho já trilhado.
Descubro a visão da manhã
a solidão algemada na memória
e os gestos paralisados
no ventre do nada.

LUIZ FERNANDES DA SILVA
João Pessoa/PB
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o tempo passa devagar
adoraria ouvir
o telefone tocar.

EUNICE MENDES
Santos/SP
in: Flores e Frutos
Contato com a autora:
e-mail: walmordario@ig.com.br
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DAS VIDAS...

Vi uma pessoa nascer no meio do entulho.
Era um homem.
Era um ser.
Poderia ser eu.

WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO
São Vicente/SP
in: Das...
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MEDO

O amor cresce
na direta proporção do medo.
O amor traz uma força
até então desconhecida.
E do desejo de preservá-la,
nasce o medo de perdê-la.
O medo de perder
passa a ser maior
do que o temor
de não ganhar.
O medo maior
não é o medo da morte,
é o medo de perder
toda a sede de viver.
O medo maior
não é o medo da partida,
é o do retorno, do retrocesso,
da volta ao que já se viveu.

O medo maior
é o medo do conhecido.

RENATA PACCOLA
São Paulo/SP
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O TEMPO

Espantados olhos
vasculhando a treva.
(A ignorância nossa
do mistério é ceva.)

Num lugar da noite
(ao lado ou cá dentro)
dormem o ontem, o hoje,
o amanhã e o sempre.

Onde a espada que
a armadura rompa,
onde a lança que

desmantele o escudo e
mostre as faces do
tempo simultâneas?

ANDERSON BRAGA HORTA
Brasília/DF
in: 50 Poemas escolhidos pelo autor
Edições Galo Branco
________________

ALMAS

Eram almas, sim, eram almas.
Roçavam em meu corpo como vento frio de inverno
e meus pelos se eriçavam
e uma lambada de fogo corria garganta abaixo.
Dançavam ao som de muitos lamentos
seus próprios lamentos
e as lágrimas subiam aos céus
parecendo neblina pronta a desandar em garoa
ou preces.
E todas as noites elas vinham
cada uma de um canto qualquer
uma pequena multidão quase transparente.
Chamavam por mim.
Eu fingia não ouvir
não sentir
não querer.
Mas, elas chamavam, chamavam por mim.
E no jardim, por entre as árvores, esperavam.
Perdiam-se em meio ao branco dos pequenos jasmins
e reapareciam sobre o gramado muito verde
parecendo brincar.
Nutriam-se do perfume das flores
tão brancas
irmãs da mesma cor.
Acostumei-me à dança
aos lamentos
à presença.
Não mais podia viver sem as almas.
E quando elas se foram, eu chamei, supliquei, implorei.
Entre garoas e preces, misturei-me aos jasmins
e esperei.
Por quantos dias, não sei.
Mas, compreendi.
Eram almas, sim, eram almas!
Pequenas almas muito brancas.
Almas de colibris.

VALÉRIA NOGUEIRA EIK
Maringá/PR
_____________________

QUE É FANZINE?

É um tipo de publicação relacionada às artes, cinema, música, quadrinhos, poesia, literatura, etc. Devido à informática e o custo barato de duplicação do original (xerox), tornou-se veículo de comunicação alternativa. Surgiu da contração das palavras inglesas fanatic (fã) e magazine (revista). Esse neologismo foi usado pela primeira vez em 1941 por Russ Chauvenet, para dar nome às publicações alternativas que surgiam nos Estados Unidos, com textos de ficção científica e curiosidades. Possuíam poucas tiragens, distribuídas pelo correio e circulavam de mão em mão.
________________

PROVÉRBIOS

* "Um bom café equivale a quarenta anos de amizade." (Turco)
* "O coração sente, a boca mente." (Latino)
* "Cada passarinho canta sua canção." (Latino)
__________________________________

O BLUES

(...)
Em contraste com o blues inspirado no holler, os primeiros blues que mostram a influência dos cantos do trabalho empregam frases mais curtas, com pontos mais específicos de ênfase rítmica. Uma forma de marcar estas ênfases era levar o ritmo com o violão. Já que estamos considerando as raízes do blues, é útil também recordar que as primeiras gravações do blues incluíam quase todo tipo de música, não somente no estilo holler e os cantos do trabalho.
(...)

Por Samuel Charters
in: Mestres do Blues – Vol. I
(continua na próxima edição)
_______________________

ESPAÇO DO LEITOR

NO SÍTIO

A gota d’água
resvalou entre folhas
e caiu no peitoril
do terraço.
Fragmento de geada.
Em tudo aparecem
grãozinhos brancos
derretendo.
O gramado parecendo
echarpe arabescada,
é pisado pelo cão
de coleira debruada.
Vento enregelado,
balança as árvores.
O joão-de-barro faz casa
no alto do mourão.
Um canário pinta
o espaço com suas cores.
O sol aqueceu.
Tudo palpita!

APARECIDA MARIANO DE BARROS
Jundiaí/SP
in: A serenata, o luar, e a saudade...
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eixos que se cruzam
pessoas que não se encontram

NICOLAS BEHR
Brasília/DF
in: Braxília Revisitada
__________________

TROVA

Essa mancha exígua e preta,
no seu colo, alvo e desnudo,
lembra frágil borboleta
toda feita de veludo.

HUMBERTO DEL MAESTRO
Vitória/ES
in: Trovas, Haicais e outros poemas
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HAICAI

Entre os galhos nus
Do pinheiro da calçada
O arco da lua.

HAZEL DE SÃO FRANCISCO
São Paulo/SP
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DICA DE LEITURA

JOSÉ ATHANÁZIO, MEU PAI - Biografia - Enéas Athanázio - Editora Minarete - 2009. Neste volume, o consagrado autor conta com simplicidade e carinho a história da vida de seu pai, falecido aos 37 anos de idade. Com belas fotos de familiares é uma preciosa homenagem.

ESPELHO DAS ÁGUAS - Poemas - Larí Franceschetto - Edições EST - Porto Alegre - 2008. Neste primeiro volume individual de poemas, o premiado Larí Franceschetto nos brinda com o lirismo de seus versos livres, plenos de uma poesia viva, cotidiana, pulsante.
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Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

ESCRITOS Nº 29

AUTOBIOGRAFIA

"Nasci na encosta de um outeiro. E fiquei, dentro em pouco, um pinheiro delgado e elegante. Tão elegante que uma senhora, passando com seus filhos por perto de mim, desejou-me para árvore de Natal.
- Como ficará lindo carregadinho de presentes e de doces, com as velinhas de cores – exclamou uma das meninas que acompanhavam a senhora.
Estremeci até as raízes, pensando que logo me haviam de arrancar para, no grande e festivo dia das crianças, ir adornar o salão de uma escola ou de uma casa abastada.
Passaram-se, porém, muitos anos e ninguém veio buscar-me para a festa do Natal. Minhas raízes aprofundaram-se mais; meu tronco tornou-se alto e forte; estendi para o céu ramaria possante, que as tempestades não puderam derribar. Todos os anos as pinhas enfeitavam meus galhos; e, quando amadureciam, aves, animais e homens vinham à minha sombra colher os frutos, que se espalhavam pelo chão. Eu era a maior e a mais bela de todas as árvores daquela região.
Mas o dia funesto chegou. Um homem aproximou-se de mim, olhou-me com atenção de alto a baixo, e fez, a facão, um sinal no meu tronco. Vieram depois operários musculosos, de machado em punho; e logo estava eu deitado no solo, com os ramos partidos. Estava reduzido a um simples madeiro – eu, o rei dos vegetais de toda aquela redondeza...
Arrastaram-me, em seguida, para uma fábrica e reduziram-se a uma polpa branca. Nenhum dos meus camaradas me houvera reconhecido, quando transformado em alvo lençol, sofria a última demão, a fim de aparecer no mercado sob a forma de papel. Que torturas padeci: os golpes mortíferos do machado, o talho agudo das lâminas que me dilaceravam, o aperto horrível de engrenagens que me esmagavam, o atrito áspero de mós que me pulverizavam, o ardor das drogas que me fizeram pálido... Depois de tudo isso, colocaram-me em uma prensa, da qual saí enfardado para uma longa viagem.
Vendeu-se um negociante a um impressor. Fui para uma tipografia, onde novas angústias me esperavam. Puseram-se em um prelo, no qual, em giros vertiginosos, palavras e gravuras eram sobre mim estampadas. Dobraram-me depois. Cortaram-me. Coseram-me. Cobriram-me com duas capas de cartão. E eis-me aqui, agora, meu amigo, para ir contigo à escola.
Não me maltrates nem me desprezes. Muito sofri para trazer-te a sabedoria dos antigos, as lições de experiência, a expressão dos prosadores e poetas, que enriqueceram tua língua materna e fizeram meigo e suave teu idioma.
Ama-me e lê-me: eu sou o teu livro."

ERASMO BRAGA
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ERASMO DE CARVALHO BRAGA, nasceu em Rio Claro a 23 de abril de 1877 e faleceu em Niterói a 11 de maio de 1932. Foi um pastor presbiteriano, educador e intelectual brasileiro. Estudou na Escola Americana e foi ordenado pastor em 5 de setembro de 1898. Em 1899 funda a revista O Puritano como alternativa a O Estandarte, junto com Álvaro Reis. Em 1907 traduz a Confissão de Fé da Guanabara, escrita por Jean du Bourdel, Matthieu Verneuil, Pierre Bourdon e André La Fon. Participou do Congresso de Ação Cristã no Panamá, em 1916, onde foram discutidas as estratégias missionárias e o ecumenismo para a América Latina. Foi o primeiro presidente do Conselho do Colégio Mackenzie (1923). De 1924 a 1926 presidiu a Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana do Brasil.
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do meu lado
só Deus
fica acordado

lá fora
nem os sinos
tocam mais

nem os cães
ladram ao longe
nem o trotar
das charretes
atravessa a noite

tudo é silêncio
tudo é austero
não há sinais

parece que a vida
dorme sem sonhos

EUNICE MENDES
Santos/SP
in: Cerimônia das Flores
Contato: walmordario@ig.com.br

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DAS LUMINOSIDADES...

Vem uma luz
que me preenche,
que me conforta,
que me deixa pleno.

WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO
São Vicente/SP
in: Das
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DOLORES DURAN

Fazer terremoto e neblina
navegar sempre em vão
a palavra mais doce
a palavra mais vida
a fina palavra não.

MARCELO DOLABELA
Belo Horizonte/MG
in: Aeroplano nº 3
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LIVROS DE EUNICE MENDES:

Cerimônia das Flores – Valor: R$ 15,00
Flores e Frutos – Valor: R$ 15,00
Sino dos Ventos (Haikais) – Valor: R$ 5,00
Lua na Janela (Haikais) – Valor: R$ 5,00
Espaços do Vazio (Haikais) – Valor: R$ 5,00
Nuvens de Sol – Valor: R$ 10,00
Sonhares – Valor: R$ 15,00

LIVROS DE WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO

Poemas Bluseiros – Valor: R$ 5,00
Um Poeta na Itália – Valor: R$ 5,00
A Multiplicação do Nada – Valor: R$ 5,00
Memórias – Valor: R$ 5,00

Contatos:
walmordario@ig.com.br
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FRASE:

"O homem é mortal por seus temores e imortal por seus desejos." - Pitágoras (Filósofo grego)
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NO CREPÚSCULO

No ocaso, traços de melancolia
cobrindo o horizonte de tristeza,
a exibição de mágoas e beleza
sendo encenadas ao final do dia.

O sol vencido, em suprema agonia,
cumpre a programação da natureza
que, esbanjando encantos e sutileza,
transforma o merencório em poesia.

O belo espetáculo envolve a gente
e toda a inspiração se faz presente,
enchendo de versos a minha trilha.

Nesse momento em que a alma se ufana,
mesmo só vendo pela ótica humana,
tento reproduzir tal maravilha!

FERNANDO VASCONCELOS
Ponta Grossa/PR
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O AMIGO

O amigo é o irmão amparado na cruz;
O amigo é a bagagem de amor
E de sonho contra a canção do abismo;
O amigo é o tempo líquido na
Mão direita, o sol na pele da verdade;

O amigo é o espelho, os cães
Caçando, o coração do pássaro
Azul voando pela janela;
O amigo é a ponte sobre o
Desfiladeiro; a lâmpada acesa
Na casa escura;

O campo de trigo sob a chuva;
O quintal cheio de pássaros e frutos;
Uma rua sem nome,
Quando os caminhos foram desfeitos;

O amigo é você mesmo,
Seu sonho e sua história,
Sua vocação para a eternidade.

ELIAS ANTUNES
Brazlândia/DF
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MENSAGENS:

* Muitos acumulam fortunas materiais enquanto empobrecem espiritualmente.
* Muitos enchem os bolsos de dinheiro enquanto esvaziam seus corações.
* Feliz é quem, à noite, fazendo retrospecto do dia pode sentir-se feliz.
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A palavra poesia tem sua origem na palavra poiésis que em grego significa
"ação de fazer algo."
Poeta era aquele indivíduo que inventava,
produzia através de sua habilidade e esforço.
Não era alguém que tinha um dom natural.
*
LEMBRETE:

É bom lembrar que a sonoridade de um poema não está só nas rimas,
não precisa ter rima.
Há outras possibilidades:
a combinação dos sons internos das palavras,
a contagem das sílabas em cada verso,
silêncios ou intervalos que surgem entre as palavras,
entre os versos e as estrofes.
Poesia é ritmo.

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"Sofrer nunca foi uma dádiva."

LUIZ BALTHAZAR
Barbacena/MG
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O BLUES

(...)

As melodias, muitas vezes, tinham uma progressão característica de alto a baixo, começando com uma nota próxima à mais alta da melodia e, depois, descendo em intervalos de três notas. A escala vocal era a que normalmente se conhece como pentatônica, uma escala de cinco notas que provavelmente reflete as escalas africanas, que também são normalmente pentatônicas, em vez de a escala diatônica de oito notas da música européia.

(...)

Por Samuel Charters
in: Mestres do Blues – Vol. I
(continua na próxima edição)
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ESPAÇO DO LEITOR

"É bom viver esse amor constante,
composto de vida e de sonho
sentindo que nosso amor a cada instante,
se manifesta nos versos que componho."

EMERSON MACIEL
Laranjeiras/SE
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VONTADES

Vontade infinita de ser antídoto
no teu estado crítico
de fratura exposta.

Vontade de ser rio incontido
no teu atroz destino
de não fugir à morte.

Vontade, simplesmente, vontade
de policiar o barco
(casa, porto, sonho)
que afundou durante a tempestade.

Vontade inadiável
de resgatar o menino
que se afogou no azul da tarde.

Ah! Desejo louco
Roubar-te a alma e o corpo
para não sentir saudade.

LARÍ FRANCESCHETTO
Veranópolis/RS
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DICAS DE LEITURA

43º. FEMUP - Coletânea de poemas, contos e músicas - 2008. Coletânea do conceituado evento FEMUP - Festival de Música e Poesia de Paranavaí/PR. Desde 1966, o concurso reúne músicos, atores, poetas e escritores de várias partes do país. O famoso Troféu Barriguda premia os que se destacam, e não são poucos. Neste volume uma mostra dos talentos de 2008. O próximo será em novembro de 2009. Não perca!

O PÓ DA ESTRADA - Viagens - Enéas Athanázio - Editora Mirante - 2008. Neste livro onde Enéas conta episódios de sua vida, encontros e viagens, flui a linguagem clara e límpida do já conhecido escritor catarinense. Trabalhos de sua autoria aparecem com frequência em vários periódicos.

AVISO IMPORTANTE

Aceitamos colaborações de poemas e/ou pequenos textos em prosa, que poderão vir a ser publicados se estiverem de acordo com o perfil da nossa linha editorial. Os textos aqui publicados são de responsabilidade exclusiva de seus autores.
O fanzine impresso pode ser adquirido pelo custo simbólico de R$ 2,00 (dois reais) - Assinatura Anual:R$ 10,00 (dez reais).
Maiores informações entre em contato com o editor:
Walmor Dario Santos Colmenero
- Endereço Postal: Pça Nossa Senhora das Graças, 76 apto. 11 CEP.: 11390-090 Vila Valença - São Vicente/SP
- Endereço eletrônico:
walmordario@ig.com.br
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Domingo, 16 de Novembro de 2008

ESCRITOS nº 28


SANTOS GUERREIROS

O mundo não está pra poesia. Nada pessoal. Somente negócio. Tem coisas que é bom nem dizer. É perigoso até. Então vamos fazer de conta que não vemos o que vemos, não sentimos o que sentimos, não somos o que somos. Mas aí aparece aquele vazio na alma, aquela angústia. Sensação de impotência, de causa perdida. A vida é uma causa perdida, dizia um amigo meu. Então a gente escreve pra uma meia dúzia ler, metade nem vai entender. Não adianta nada. Perdem-se as inocências pisadas e as misérias anônimas. É cada um por si na sua solidão. O mundo caiu. Se você que me lê, acha que não é bem assim, tudo bem. Cada um tem o direito de se iludir como pode. Caso contrário, faz uma coisa: prove! Mostre-me uma luz, uma esperança (que não seja tola). Uma iniciativa qualquer que me dê um crédito de que as coisas ainda podem mudar, o jogo vai virar e o dragão da maldade tombará definitivamente aos pés dos santos guerreiros (cadê eles?!)...

DACHA
Santos/SP
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DESILHADOS

Estamos longe de ser
santos ou deuses.
Somos uma ilha
cercada de seres humanos
por todos os lados.
Semelhantes centelhas.
Tolice é ignorar.

ROGÉRIO SALGADO e VIRGILENE ARAÚJO
Belo Horizonte/MG
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O BANHO

A água escorre em acrobacias
Colinas e vales
Molhando os pêlos
Coloridos da alegria

A espuma evolui tenuamente
Diluindo o seu perfume
Por recônditos e reentrâncias
Desfazendo-se em pés macios

Acolhe o corpo
A toalha felpuda
Absorvendo o molhado
Tirando do voyeur
Toda a visão

COSME CUSTÓDIO DA SILVA
Salvador/BA
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TROVAS

Outrora melros cantaram
para a praça despertar.
Hoje, seus cantos calaram
para o povo lamentar.
*
No céu, um rastro de luz,
na terra, um hino em louvor!
Nasceu o doce Jesus,
que nos revelou o Amor!

HENNY KROPF
Cantagalo/RJ
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MENSAGENS

* Pare um só instante e pense firmemente em Jesus e recobrarás tuas forças.
* O Pai te deu a vida: cabe a ti edificá-la através de teu coração e espírito.
* Junte às tuas preces as boas ações e tua jornada será mais bela.
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talvez um poema seja uma impressão
um pouso de pássaro
um nada na mão

EUNICE MENDES
Santos/SP
in: Cerimônia das Flores
Contato com a autora:
e-mail: walmordario@ig.com.br
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DAS MARÉS...

Um barco contempla o horizonte.
Um peixe vê a vida por debaixo d’água.
Solidão. Quietude.
Um quadro pintado por Deus.

WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO
São Vicente/SP
in: Das...
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LIVROS DE EUNICE MENDES:

* Cerimônia das Flores – Valor: R$ 15,00
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* Sonhares – Valor: R$ 15,00

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* Poemas Bluseiros – Valor: R$ 5,00
* Um Poeta na Itália – Valor: R$ 5,00
* A Multiplicação do Nada – Valor: R$ 5,00
* Memórias – Valor: R$ 5,00

e-mail: walmordario@ig.com.br

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HUMOR

MULHERES! MULHERES!

Dois amigos desde as fraldas,
Crispiniano e Crispim,
viram-se após longa ausência
e palestravam assim:

- Como vão os teus amores?
Que é feito de Sinhá Doce?
- Aquela de olhos de gata?
- Sim. – Pois não sabes? Casou-se.

- Infiel! E o que me dizes
da Mariquinhas Bem-Bem?
- Oh! Traiu-me negramente.
- Então... – Casou-se também.

- Mas a Júlia... essa não creio...
- Pois casou-se, é o que te digo.
E foi a pior de todas
porque casou-se comigo.

LÚCIO DE MENDONÇA
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AS LAGOAS

Me encantava na lua cheia
Olhando a face do lago
E o ventinho pampeano
Pra ondas fazia afagos
Ondas que iam e vinham
No azul verde dos pagos

Águas claras azuladas
Que surgiram de repente
Belos lagos encantadores
Que lavam a alma da gente
Bacias de águas claras
Formadas no meio ambiente

Estes lagos de cor azul
Estas lagoas encantadas
São lágrimas que chorei
Na ausência da prenda amada
Quando as estrelas cadentes
Vigiavam as madrugadas

Nas barrancas que emolduravam
Muitos juncos e aguapés
João-grandes, garças e socós
Nadavam onde não dava pé
E nestas águas cristalinas
Eu vi imagem de Sepé

Que Deus conserve estes lagos
Que ficam à beira das estradas
E que à noite a lua cheia
Venha se olhar nas aguadas
Antes que o dia amanheça
Pra iluminar as estradas

Admiro estas lagoas
Da nossa pampa charrua
Onde a lua e as estrelas
Costumam se banhar nuas
Iluminando o Rio Grande
Nas madrugadas xirúas.

Notas:

Pampeano – relativo ao pampa, pertencente ao pampa.
Pago – lugar em que se nasceu, o rincão, a querência.

GALVÃO LENIR MACHADO MARTINS
Santa Maria/RS
in: Querência dos Quatro Ventos
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VIAGEM

Quando tomamos
O táxi da vida,
nada entendemos,
nada conhecemos
do roteiro.
Somos incompletos,
inseguros.
Ele corre,
mostrando
os fascículos
participativos.
Aferrados
à esperança,
encontramos
desvios e curvas,
nem sempre
com a prudência
exigida.
Incêndios
de entusiasmo
lavram o íntimo,
e terminamos,
pastoreando
os próprios
sonhos...

APARECIDA
MARIANO
DE BARROS
Jundiaí/SP
in: Semeando Margaridas
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FRASES

"O homem ama, porque o amor é a essência da sua alma.
Por isso não pode deixar de amar."
LEON TOLSTOI – Escritor russo

"Amo como ama o amor.
Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar.
Que queres que te diga,
além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?"
FERNANDO PESSOA – Poeta português
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O BLUES

(...)

O Texas possuía uma população afro-americana menor que a do Mississipi e, posto que tinha um solo mais seco, havia mais trabalho isolado em fazendas pequenas. Os cantos de trabalhos recompilados no Texas normalmente procedem das fazendas penitenciárias das terras baixas, junto ao rio raso, numa faixa no sul do estado. O Mississipi, muito mais povoado, tinha grandes brigadas de trabalho nas plantações do delta e na fazenda penitenciária de Parchman.
(...)
Por Samuel Charters
in: Mestres do Blues – Vol. I
(continua na próxima edição)

ESPAÇO DO LEITOR

"O mundo é a Pátria de todos."

LUIZ BALTHAZAR
Barbacena/MG
AUTO

a Carlos César Carvalho


Nesta sociedade
apalermada:
sou
pelo que tenho
nunca pelo que posso;
sou
pelo que pareço
não pelo que vejo;
sou
o que fizeram de mim
não o que me fiz!

THELMO SILVA MATTOS
Bela Cruz/CE
in: Flor do Kacto

SOU

Imagem
Da mensagem
Que o tempo
Em meu corpo gravou,
Sou
Alegria e
Dor selvagem
De quem foi
De quem ficou.
Quem busca
Um mundo novo
Que existe
Só dentro de mim
Sou alma
Que Deus pôs no mundo
Sou o corpo
Que Deus pôs em mim.

SÉRGIO MARQUES VELLOSO
Santos/SP
in: velloso.arteblog.com.br

"Tatuei teu nome no meu pensamento, depois transformei-o em canção e as batidas do meu coração deram-lhe o ritmo perfeito."

DEISE DOMINGUES GIANNINI
São Vicente/SP


DICA DE LEITURA

UM DIA, UM TREM - Poemas - Fernando Fábio Fiorese Furtado - Nankin - 2008. Verdadeira viagem na poesia do menino que "admira ter na sua a mão do pai". Neste belo livro de poemas que contam e criam a história da infância nos cenários ferroviários. No prefácio, Nonato Gurgel diz que "as pessoas são templos da escritura, são poemas". Sim, e aqui, Fiorese escreve o livro que é o pai, que foi o filho, que foi o pai, que é o filho, nos trilhos do encontro eterno ou do retorno.

PULSO INSTANTÂNEO - Contos - Anderson Braga Horta - Thesaurus - 2008. Coletânea de contos do já consagrado escritor brasileiro Anderson Braga Horta. Belas ilustrações de Momchill Stoyanov permeiam os textos instigantes de narrativas femininas, histórias de mistério e metafísica. Literatura inteligente.

MONÓLOGOS ÍNTIMOS E ALGUNS SONETOS - Poemas - Humberto Del Maestro - 2008. Neste volume, o autor nos apresenta versos livres onde questiona, indaga, lamenta e expõe suas ideias em líricos monólogos íntimos. Nos sonetos, ainda mais intimistas, os temas são mais amorosos. Boa leitura!
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AVISO IMPORTANTE

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Maiores informações entre em contato com o editor:
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Segunda-feira, 1 de Setembro de 2008

ESCRITOS Nº 27

UM PORRE EM GUAXININGUABA

Casado há três anos, eu era pai de uma filha. Comprei um terreno e construí pequenina casa. Estava nascendo o bairro de Guaxininguaba, mais tarde, Quintino Cunha. Tinha eu vinte e quatro anos. Naquela época, o lugar era constituído de casebres que nem o meu. Atualmente, quarenta anos depois, é quase todo povoado pela classe média.
Ali morei cerca de dois anos. Cerquei o quintal e plantei verduras. Isso, incentivado pelo meu bom vizinho que era verdureiro.
Nos finais de semana, levávamos a nossa produção para o mercado, no único ônibus que circulava...
Não havia luz elétrica nem água encanada. Mas gostávamos. Tranqüilidade absoluta. Toda a vizinhança se entendia.
Seu André, proprietário da maior mercearia do bairro, era sargento aposentado da Polícia Militar. Seu freguês e amigo, eu ia sempre às noites, quando havia futebol, assistir a transmissão em seu possante rádio.
André dava valor tomar umas e outras. Pelejava para me ver bêbado. Eu porém, nada queria com o álcool.
Certa noite o Brasil ia jogar com a Tchecoslováquia. E para me ver bêbado, atiçou-me:
- Vamos apostar? Cada gol que o Brasil marcar, tomamos, topa?
Aceitei. Arrependi-me. O Brasil fez cinco gols e terminei completamente bêbado. No dia seguinte amanheci em casa com uma dor de cabeça de lascar. Sem lembrar-me do que acontecera após embebedar-me, ele me disse:
- Você ficou valente! Queria quebrar tudo! Foi preciso três homens para dominá-lo. Só não lhe prendi porque fui culpado e você é muito meu amigo!

JOÃO BATISTA SERRA
Caucaia/CE
in: O Patusco nº 79
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PASSAGEM

Debruçou sobre seu egoísmo
e seguiu em frente...

Duvidou do amor,
palavras vãs
atitudes falsas...

Carinho fugaz e idéias
sem convicção...
Sua entrega é uma incerteza
e seu amor não se completa...

THEREZA R. FIGUEIREDO
Santos/SP
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MENSAGENS:

* Com amor e caridade alcançarás patamares mais altos na espiritualidade.
* Não deixes para depois o bem que podes e deves fazer agora.
* Os bens materiais devem ser aproveitados mas com o pensamento em Deus
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floradas nas jarras
espalhadas pela casa
trazem em seus perfumes

saudades de outros jardins

***

vestígios verdes de ervas
traçam caminhos nas pedras
como linhas

em minhas mãos

***

estreita paisagem azul
atravessa o vão da janela
sutil passagem de outras luzes

EUNICE MENDES
Santos/SP
in: Nuvens de Sol
Contato com a autora:
walmordario@ig.com.br
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CONTRAPONTO

O verso que escrevo
tem o teu rosto.
Puro. Bom.

O meu retrato
tem o teu sorriso.
Novo. De sempre.

O meu beijo
tem a tua boca.
Linda. Sensual.

O meu sonho
tem a tua realidade.
Viva. Indomável.

O meu poema
tem um nome:
O teu.

WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO
São Vicente/SP
in: Memórias
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LIVROS DE EUNICE MENDES:

* Cerimônia das Flores
* Flores e Frutos
* Sonhares
Valor: R$ 15,00 (cada)

*

* Nuvens de Sol
Valor: R$ 10,00

*

* Sino dos Ventos (Haikais)
* Lua na Janela (Haikais)
* Espaços do Vazio (Haikais)
Valor: R$ 5,00 (cada)
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ALGUNS LIVROS DE WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO

* Tributo Vivo
* Um Poeta na Itália
* A Multiplicação do Nada
* Memórias
Valor: R$ 5,00 (cada)


CONTATO: walmordario@ig.com.br
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"Nas noites de insônia tenho consciência de uma missão que se ergue à minha frente como uma montanha distante. Quando compus Papillons (Borboletas), comecei a sentir uma certa independência. Agora, as borboletas voaram rumo ao vasto e grandioso universo da primavera. A própria primavera surge à minha porta e me contempla, e é um menino de celestiais olhos azuis. (...) A experiência estética é a mesma em todas as artes. A única diferença está no material."

ROBERT SCHUMANN
Compositor alemão
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FRASES:

" A arte é um dos meios que une os homens."
" Cada um viveu tanto, quanto amou."

LEON TOLSTOI
Escritor russo
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HAICAI

Vovó junta a palha
Mamãe prepara os ovinhos
Domingo de Páscoa.

HAZEL DE SÃO FRANCISCO
São Paulo/SP
___________

DESPEDIDA

A Ferreira Gullar

com fúria deixarei o mundo
aqui tudo será como antes
na secura das palavras
e no remorso vão

reminiscências do que fui
o desejo de ser alinhavo
certo de não levar mágoas
somente o que amei irá comigo

meu verso o passaporte
para um amanhã na eternidade

LUIZ OTÁVIO OLIANI
Lins de Vasconcelos/RJ
in: Fora de Órbita
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OCASO

O Sol estirado
nas paredes dos prédios
entardece todo o verso.
E os prédios
com seus vários olhos
acortinados,
esperam pelo início da noite.
e a conclusão discreta
do poema.

MALUNGO
Recife/PE
in: CD 20 Poemas
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"DEUSOMEM"

crucifícil:
sacrifixo
in
útil
...

ESCOBAR FRANELAS
São Paulo/SP
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UMA LIÇÃO, AINDA ASSIM

Meus poemas falam muito de fim.
Muitos não gostam deles ou de mim.
Não lhe conheço e isso é meio um abuso,
mas falo por não saber se você sabe:
Há poemas que existem
apenas para que você os deteste.
Alguns outros podem salvar sua alma.

SAMMIS REACHERS
São Gonçalo/ RJ
______________

LEMBRANÇAS

O dia acordou mais cedo.
A manhã caminhou leve
e deixou as sobras da noite.
Caminhei de mundo afora,
meditei com o tempo,
lavei meu rosto no vento,
enxuguei no calor do sol
e fiquei afogado
nas lembranças.

LUIZ FERNANDES DA SILVA
João Pessoa/PB
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FRASE:

"Toda reforma interior e toda mudança para melhor dependem exclusivamente da aplicação do nosso próprio esforço."

KANT
Filósofo alemão
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O BLUES

(...)
Os cantos do trabalho, com seus ritmos uniformes e seus versos pouco rimados, são a outra fonte importante do blues. Há vinte ou trinta anos, ainda era possível cruzar-se com quadrilhas segregadas de trabalhadores negros esparramados ao longo das estradas enlamaçadas do Mississipi, Louisiana ou Texas cortando capim ou arrancando tocos de árvores ou folhagem. Enquanto trabalhavam, seguiam o solista da canção, que se mantinha unido ao cantar breves frases improvisadas às quais eles respondiam com um único verso repetido como um estribilho. Essas canções livres eram os cantos do trabalho e até os anos cinqüenta era possível escutar o padrão rítmico dos estilos dos cantos do trabalho em alguns blues gravados por artistas do Mississipi.
(...)

Por Samuel Charters
in: Mestres do Blues – Vol. I
(continua na próxima edição)

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ESPAÇO DO LEITOR

ARTE ETERNA

Enquanto houver num bosque verdejante
Lindas flores em densa profusão;
E houver da Via-Láctea na amplidão
Milhões de sóis de brilho fulgurante;

E houver nalgum humano coração
Da saudade a presença torturante;
E houver o mimo, o zelo cativante
De mãe trazendo o filho pela mão;

E houver um jovem tendo no seu peito
De ver seu sonho de ouro já defeito
Os espinhos cruéis da dor secreta –

A poesia não terá morrido,
Nem triste ficará por ter nascido
Alguém com a maldição de ser poeta!

CELSO MARTINS
Rio de Janeiro/RJ
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TROVA

Minha vida tão modesta
Falta de amor não reclama,
Se alguém, ali me detesta
Mais adiante alguém me ama.

MARIA DE MELLO BANDEIRA
Santa Maria/RS
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DICA DE LEITURA:

O PARAÍSO ERA ANTES - Poesias e Ilustrações - Lucia Fonseca - Editora da Palavra - 2008. Belíssimo o livro O PARAÍSO ERA ANTES (e será depois, para quem o ler), de ilustrações e poemas da primorosa Lucia Fonseca. Como disse Leon Tolstoi, "se quer ser universal, canta tua aldeia". Lucia canta seu quintal, seu jardim, sua infância, nos poemas que vão se entrelaçando às imagens. Tudo muito pessoal, nos conduz ao nosso próprio paraíso perdido da infância, poemas para serem amados!
______________

AVISO IMPORTANTE:

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Domingo, 6 de Julho de 2008

ESCRITOS nº 26


A LENDA DA FLOR-DE-LÓTUS

Certo dia, à margem de um tranqüilo lago solitário, a cuja margem se erguiam frondosas árvores com perfumosas flores de mil cores, e coalhadas de ninhos onde aves canoras chilreavam, encontraram-se quatro elementos irmãos: o fogo, o ar, a água e a terra.
- Quanto tempo sem nos vermos em nossa nudez primitiva - disse o fogo cheio de entusiasmo, como é de sua natureza.
- É verdade - disse o ar. - É um destino bem curioso o nosso. À custa de tanto nos prestarmos para construir formas e mais formas, tornamo-nos escravos de nossa obra e perdemos nossa liberdade.
- Não te queixes - disse a água -, pois estamos obedecendo à Lei, e é um Divino Prazer servir à Criação. Por outro lado, não perdemos nossa liberdade; tu corres de um lado para outro, à tua vontade; o irmão fogo, entra e sai por toda parte servindo a vida e a morte. Eu faço o mesmo.
- Em todo o caso, sou eu quem deveria me queixar - disse a terra - pois estou sempre imóvel, e mesmo sem minha vontade, dou voltas e mais voltas, sem descansar no mesmo espaço.
- Não entristeçais minha felicidade ao ver-nos - tornou a dizer o fogo - com discussões supérfluas. É melhor festejarmos estes momentos em que nos encontrarmos fora da forma. Regozijemo-nos à sombra destas árvores e à margem deste lago formado pela nossa união.
Todos o aplaudiram e se entregaram ao mais feliz companheirismo. Cada um contou o que havia feito durante sua longa ausência, as maravilhas que tinham construído e destruído. Cada um se orgulhou de se haver prestado para que a Vida se manifestasse através de formas sempre mais belas e mais perfeitas. E mais se regozijaram, pensando na multidão de vezes que se uniram fragmentariamente para o seu trabalho. Em meio de tão grande alegria, existia uma nuvem: o homem. Ah! como ele era ingrato. Haviam-no construído com seus mais perfeitos e puros materiais, e o homem abusava deles, perdendo-os. Tiveram desejo de retirar sua cooperação e privá-lo de realizar suas experiências no plano físico. Porém a nuvem dissipou-se e a alegria voltou a reinar entre os quatro irmãos. Aproximando-se o momento de se separarem, pensaram em deixar uma recordação que perpetuasse através das idades a felicidade de seu encontro. Resolveram criar alguma coisa especial que, composta de fragmentos de cada um deles harmonicamente combinados, fosse também a expressão de suas diferenças e independência, e servisse de símbolo e exemplo para o homem. Houve muitos projetos que foram abandonados por serem incompletos e insuficientes. Por fim, refletindo-se no lago, os quatro disseram:
- E se construíssemos uma planta cujas raízes estivessem no fundo do lago, a haste na água e as folhas e flores fora dela?
- A idéia pareceu digna de experiência. Eu porei as melhores forças de minhas entranhas - disse a terra - e alimentarei suas raízes.
- Eu porei as melhores linfas de meus seios - disse a água - e farei crescer sua haste.
- Eu porei minhas melhores brisas - disse o ar - e tonificarei a planta.
- Eu porei todo o meu calor - disse o fogo - para dar às suas corolas as mais formosas cores.
Dito e feito. Os quatro irmãos começaram a sua obra. Fibra sobre fibra foram construídas as raízes, a haste, as folhas e as flores. O sol abençoou-a e a planta deu entrada na flora regional, saudada como rainha. Quando os quatro elementos se separaram, a Flor-de-Lótus brilhava no lago em sua beleza imaculada, e servia para o homem como símbolo da pureza e perfeição humana.
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AMOR ENCANTO ÊXTASE

Vibra o verso no anverso
desta página

ó infinita finitude de sempre

silêncio

ESCOBAR FRANELAS
São Paulo/SP
in: HARDROCKCORENROLL
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AMPULHETA DE PROUST

Não quero saber
Do tempo perdido
Nem do tempo fruído
Não sou de ficar esperando
Nem Godot, nem Godard
Meu negócio é a ampulheta
Empulhando o tempo
Nos bolsos de Marcel Proust.

ANTÔNIO CABRAL FILHO
Rio de Janeiro/RJ
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A HORA É PASSADA

A hora é passada
sempre em meu presente,
e não vivo mais nada
a não ser o ausente
momento em que vivo
dentro dessa hora,
e mais que isso é o juízo
que o futuro ignora.

ANDRÉ BONIATTI
Corbélia/PR
in: Girante Popular
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ficar quieta
quase morta
não mover um sonho

adormecer
por dentro

real:
lugar estreito
onde nada cabe
por inteiro

EUNICE MENDES
Santos/SP
in: Aurora Gris
Contato com a autora:
Av. Eng. Luís La Scala Jr., 186
CEP.: 11075-150 - Santos/SP
e-mail: walmordario@ig.com.br
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QUERÊNCIA

Te quero!
Ah! Como te quero!
É o vinho antigo
que embebeda, embriaga.
É o cheiro forte do campo.
É o ar doce dos apaixonados.

WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO
São Vicente/SP
in: Um Poeta na Itália
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DUETO

Em silêncio nós dois lavamos a louça
depois de mais um almoço de domingo;
nossa filha brinca no computador,
a tarde é quente e não traz alívio
observar as nuvens tão indiferentes
ao que somos e ao que de nós sobrou.

Despejo detergente na buchinha
e vou esfregando pratos, talheres,
panelas, tampas e um escorredor.
As louças são da época do casamento
e apresentam cantos lascados e riscos
de facas que cortaram nosso alimento.

Um jogo novo de jantar, de porcelana,
dorme no armário, meio esquecido.
Quase não o usamos, não por raiva,
apenas por falta de curiosidade
de provar as coisas sem as marcas
dos dias que, perdidos, são tão nossos.

Do almoço em que você tanto se esmerou
e que em poucos minutos devoramos
restou apenas sujeira, esses detritos.
Despejo mais detergente na buchinha
esfrego com fúria, não desisto.

Na cuba da pia, no olho do ralo,
acumula-se uma camada de restos.
Grãos, pedaços de carne e de cebola,
folhas verdes e o recente caco de louça
tirado de um prato contra o granito.

Não nos olhamos neste domingo
- dia de folga, mas não se folga
neste trabalho escravo de ser.
Cuidamos da louça, você a enxuga
e nossas mãos então se cruzam
sobre o escorredor transbordante
de coisas úmidas e limpas e lascadas.

Esta é a nossa vida, nossa casa.
Poderíamos estar felizes com isso
e talvez até estejamos, lá no fundo.
E afundo as mãos na cuba e retiro
uma faca ainda muito engordurada
como nossa alma sem brilho.

Quando não restam mais louças
para que nelas possamos exercitar
um desejo frustrado de limpeza,
quando tudo volta ao armário
nós nos sentamos na varanda
e damos as mãos como namorados
- mãos macias, brancas e enrugadas
de muito tempo expostas à água,
mãos talvez já sem pecados.

MIGUEL SANCHES NETO
Ponta Grossa/PR
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MENSAGENS:

* Viver intensamente a vida é pregar e exercer o amor permanente.
* A punição dos maus é feita por eles mesmos, cumprindo a lei de causa e efeito.
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FRASE ANÔNIMA:

Eu lavo e semeio. Se não colher, alguém colherá. Meu celeiro pode arder, mas a semente no solo está segura e crescerá. (LAVRADOR POLONÊS)
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FRASES:

"Uma sociedade de carneiros acaba por gerar um governo de lobos." VICTOR HUGO - Escritor francês
"Sem o poder da crítica, nenhum elogio é válido." BEAUMARCHAIS - Escritor francês

O BLUES

(...)
Ainda hoje, às vezes, no sul dos Estados Unidos, pode-se caminhar por uma estrada do campo e, de um pasto iluminado pelo sol e de um curral perto de uma casa de lâminas alfálticas, ouvir alguém que canta sozinho. As canções tem um ritmo livre e simples, com estrofes breves de uma ou duas frases melódicas e o nome que normalmente recebem é hollers. São estas melodias que se tornaram uma das duas fontes mais importantes das quais se derivou o blues.
(...)

Por Samuel Charters
in: Mestres do Blues – Vol. I
(continua na próxima edição)

ESPAÇO DO LEITOR

EU E O BEIJA-FLOR

No exuberante jardim
Do meu coração,
Bem num cantinho,
Nasceu uma Margarida.
No meu sentir,
Formosa e perfumada.
Acariciei-a com ardor.
Soltei longos suspiros.
Beijei-a e sussurrei:
- Até amanhã.
Saí. E um beija-flor
Beijou-a também!

JOÃO BATISTA SERRA
Caucaia/CE
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RIOS DESLUMBRANTES

Rios deslumbrantes
Escorrem sobre vales
Saciam a sede de matas
Cavoucam novos caminhos
Deixam rastros de sua passagem
Eternos rios deslumbrantes
Artérias de vida
Sementes de várias épocas.

ADÃO WONS
Cotiporã/RS
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CACOFOTROVA

Julieta, outro flertando,
Ao amado aborreceu
E falou, se desculpando:
"Perdoa este erro meu!"

PAULO FERNANDO MACIEL RODRIGUES
Santa Maria/RS
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TROVA

Da noite negro tapume,
a completa escuridão,
faz, de estrela, um vagalume
e, de céu, o nosso chão!

FERNANDO VASCONCELOS
Ponta Grossa/PR
in: Gotinhas de Orvalho
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"Para os velhos todos os valores são exacerbados: pelo alto custo dos erros, pela escassez do tempo, pelo contínuo acréscimo de impotência."

MARIA JOSÉ GIGLIO
São Roque/SP
in: Reflexões II
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DICAS DE LEITURA

DITOS, ADÁGIOS E AFORISMOS - Citações - Humberto Del Maestro - 2008. Humberto Del Maestro apresenta neste quarto volume, ditos, adágios e aforismos, atingindo com esta publicação, aproximadamente 3.500 citações no gênero.

ESCADA DE MADEIRA - Poemas - Aparecida Mariano de Barros - Editora Degaspari - 2008. Neste volume de poemas, trovas, haicais e 4 crônicas, a autora revela um espírito sensível às coisas da sua terra e do espírito recolhido em seus sentimentos e divagações. Boa leitura para quem aprecia o acento romântico da inspiração.

LUME - Poemas - Hazel de São Francisco - Neste livro de poemas a autora desfila paisagens cotidianas de lirismo e simplicidade.

AVISO IMPORTANTE

Aceitamos colaborações de poemas e/ou pequenos textos em prosa, que poderão vir a ser publicados se estiverem de acordo com o perfil da nossa linha editorial. Os textos aqui publicados são de responsabilidade exclusiva de seus autores. O fanzine impresso pode ser adquirido pelo custo simbólico de R$ 2,00 (dois reais) - Assinatura Anual: R$ 10,00 (dez reais). Maiores informações entre em contato com o editor: Walmor Dario Santos Colmenero - Endereço Postal: Pça Nossa Senhora das Graças, 76 apto. 11 CEP.: 11390-090 Vila Valença - São Vicente/SP - Endereço eletrônico:
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